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AL precisa de estratégias inovadoras para crescer, diz Coutinho

Sem a ajuda das commodities — que em outros tempos impulsionaram o crescimento de países como o Brasil — a América Latina precisará encontrar outras forças para se desenvolver. A avaliação é do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que participou ontem de evento sobre a economia latino-americana promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em São Paulo.

Dirigindo-se a uma plateia repleta de estrangeiros, Coutinho destacou a importância de se manter a estabilidade econômica na região, sem perder o “processo virtuoso de inclusão social”. “A América Latina tem déficit em infraestrutura urbana e logística. Isso é oportunidade para crescer”, disse. “Precisamos revitalizar setores competitivos, como os serviços e a manufatura nas grandes cidades”.

Para tanto, a inovação tecnológica é vista como ponto-chave. “Não podemos correr o risco de ficar para trás. O setor menos afetado pela crise foi o produtivo, que adotou uma postura de aversão a risco. Mas precisamos pensar em estratégias inovadoras”, comentou o presidente do BNDES.

Na abertura do evento, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, defendeu mais proximidade entre os países da América Latina como forma de impulsionar o desenvolvido econômico na região. “O fortalecimento da integração permitirá não só produzir para os mercados de origem, mas participar de forma mais ativa dos mercados regionais e globais”, destacou.

Para a ministra, a construção de cadeias produtivas regionais ampliaria o intercâmbio comercial e a integração produtiva, financeira e econômica. “É necessário alcançar uma transformação que permita aumentar a produtividade, garantindo a continuidade de crescimento no longo prazo”, disse.

Na visão de Coutinho, apesar da recente perda de fôlego, os emergentes continuarão sendo o motor do crescimento global. Ele lembrou que, entre 2009 e 2011, quando os reflexos da crise financeira se mostravam mais evidentes, os países em desenvolvimento “seguraram a peteca” da economia mundial. “As oportunidades de crescimento estão nos países em desenvolvimento”, enfatizou.

Para o presidente do BNDES, a crise financeira internacional ainda não está superada, mas foi enfrentada de forma eficiente. A retirada de liquidez dos mercados será um grande desafio, em sua avaliação. “O desmonte dessa injeção de liquidez, com a elevação de juros nos EUA, será uma tarefa delicada”, disse, acrescentando que a recuperação econômica nos Estados Unidos e na Europa ainda é incipiente.

No Brasil, a recente alta na taxa básica de juros – interrompida no mês passado pelo Banco Central – inibiu a emissão de debêntures para projetos de infraestrutura. Segundo Coutinho, havia a expectativa de que os projetos de concessão de infraestrutura envolvessem entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões em debêntures, mas devido ao avanço dos juros, esse montante deve ser reduzido à metade.

“Quando iniciamos esse processo, a Selic estava em 7,25% ao ano. Agora está em 11%. Antes era mais fácil emitir. Temos agora um momento menos favorável”, disse. “Em algum momento, o ciclo de inflação será superado, os juros poderão cair e viabilizar um movimento de escala mais importante na emissão de debêntures”.

Coutinho afirma que o BNDES vem trabalhando junto aos bancos para prover financiamento ao setor privado, sobretudo nos projetos de menor risco. Ele, entretanto, não quis comentar a possibilidade de elevação da TJLP.

Fonte: Valor

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