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Agricultura sustentável é nova fronteira da Embrapa

“A inovação é o motor do desenvolvimento em mercados abertos, dinâmicos e intensivos em conhecimento”, afirma Maurício Antônio Lopes, presidente da Embrapa. A estatal é exemplo da capacidade de transformação econômica da pesquisa e desenvolvimento (P&D). Nos últimos 40 anos, a ciência aplicada ao solo e às lavouras tornou o Brasil um dos maiores produtores globais de alimentos.

Com o avanço contínuo da ciência, o país enfrenta o desafio de acompanhar a velocidade de criação e, ao mesmo tempo, encontrar respostas para uma nova fronteira tecnológica: a agricultura sustentável. “O Brasil pode destacar-se no desenvolvimento de tecnologias e técnicas de manejo sustentáveis. Possuímos conhecimento, recursos naturais e mercado consumidor para justificar os investimentos”, acrescenta Lopes.

Essa combinação poderosa fomenta a pesquisa. “O país tem toda condição de ser protagonista na economia verde. O desenvolvimento sustentável é a única saída para o globo e dependerá de muita inovação”, destaca. Para ele, é importante o país definir suas prioridades em P&D, já que o orçamento é limitado e não é possível abarcar todos os segmentos. “Não dá para ser bom em tudo. Teremos de escolher áreas que nos dão vantagens comparativas e competitivas em relação a outros países”, afirma.

Lopes defende a pesquisa pública como forma de garantir que o dinheiro aplicado retorne à sociedade. “As empresas privadas não vão se interessar por muitas linhas de pesquisa, especialmente as de longo prazo e com mais retorno social do que financeiro”, explica.

Os estudos de agricultura sustentável, como a utilização de sistemas integrados de plantio, pecuária e manejo florestal são um bom exemplo disso. Segundo Lopes, é natural que as empresas concentrem seus esforços em defensivos, sementes e biotecnologia. “A pesquisa engajada com o planejamento econômico sempre dependerá de recursos públicos.”

Lopes argumenta que as empresas precisam investir mais em P&D para fortalecer o orçamento global de cada setor produtivo. Como exemplo, cita o agronegócio brasileiro, cuja pesquisa é extremamente dependente do orçamento público. O investimento global em P&D corresponde entre 1,3% e 1,4% do PIB agropecuário, releva Lopes, quase 60% do total aplicado vem do orçamento da Embrapa. O poder público financia um pouco mais de 20%, o que eleva o financiamento estatal para mais de 80%. As empresas privadas respondem, historicamente, por menos de 20%. “Essa relação precisa mudar.”

O orçamento da Embrapa em 2014 será de R$ 2,4 bilhões, dos quais, 70% do valor são destinados à folha de pagamento. Outros 30% são para investimentos e infraestrutura.

Fonte: Valor

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