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Agência europeia financia projetos no Brasil

O European Investment Bank (EIB), banco de desenvolvimento da União Europeia, acaba de assinar um empréstimo de € 200 milhões para o Estado de São Paulo, para a compra de trens da CPTM, e estuda mais quatro operações de crédito para o Brasil.

Os valores não são muito grandes, mas a atuação do banco no país é consistente. Nos últimos 20 anos, o banco investiu cerca de € 2,8 bilhões em 32 operações brasileiras. “É inteligente contribuir com a integração do Brasil com a Europa”, diz Werner Hoyer, presidente do EIB, que esteve no país na semana passada.

No momento, o banco analisa quatro operações no Brasil que podem somar € 650 milhões. Um empréstimo para o Estado da Bahia para a revitalização da malha rodoviária, um para a distribuidora de energia Elektro, um para a Volskwagen expandir uma planta industrial e um programa de crédito a pequenas e médias empresas que seria distribuído pelo Santander Brasil, que atualmente é o único banco com quem o EIB tem operações no país.

No passado, o banco fez parcerias também com o antigo Unibanco e com o Itaú BBA. “Só os créditos a pequenas e médias empresas são feitos por outro banco porque não temos acesso a elas”, diz Hoyer.

O EIB não possui um orçamento determinado para os investimentos no Brasil, mas há um limite para a América Latina. Sob o atual mandato estão previstos desembolsos de até € 2,3 bilhões na região até 2020. Mas o país também pode receber recursos de outro orçamento, de € 4,5 bilhões, reservado para economias com grau de investimento. “A operação da Volkswagen sairia dessa reserva, por exemplo”, explica Alberto Barragan, chefe da divisão de América Latina do EIB.

O Brasil abocanhou 40% do crédito concedido pelo EIB à América Latina nos últimos 20 anos, fatia próxima à participação do país no PIB da região. O orçamento da América Latina, por sua vez, está dentro dos cerca de 5% dos recursos totais que o EIB reserva para investir em países fora da União Europeia que sejam parceiros estratégicos do bloco.

Os outros 95% são investidos em projetos nos estados membros, com o objetivo de incentivar o investimento privado na Europa. Este ano, o banco pretende desembolsar mais de € 70 bilhões. Todo o funding será feito no mercado de capitais, sem que haja peso para os contribuintes.

O modelo de financiamento do banco europeu faz sentido na realidade brasileira. Com as sinalizações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que o BNDES deve passar a receber menos subsídios do Tesouro, o mercado de capitais será também fonte importante de recursos para o banco brasileiro.

“Somos uma instituição pública, com mandato da UE, mas por outro lado temos que enfrentar os desafios do mercado, precisamos ter a confiança dos investidores”, explica Hoyer.

No ano passado, o banco captou € 70 bilhões com emissões de bônus e a previsão é levantar ainda mais este ano, com operações concentradas no primeiro semestre, como já é de praxe da instituição. A maior parte das captações do banco são denominadas em euros e dólares, mas também há bônus em seis outras moedas.

Hoyer lembra que o custo dos empréstimos concedidos pelo EIB é menor que o cobrado pelos bancos comerciais porque a instituição não tem fins lucrativos e consegue captar a um bom preço. “Como captamos relativamente barato por conta do nosso rating ‘AAA’, podemos emprestar dinheiro a taxas bem favoráveis”, explica o executivo.

O volume a ser captado neste ano, segundo Hoyer, pode ser aumentado dependendo da evolução de um plano de investimentos que está sendo desenhado com a Comissão Europeia. O programa prevê a geração de € 300 bilhões em investimentos em infraestrutura na UE nos próximos três anos.

“A princípio, os recursos [desse plano] serão distribuídos por todos os estados membros, porque não temos um sistema de cotas”, diz Hoyer. “Mas claro que há alguns países com necessidades especiais, onde a recuperação econômica tem sido mais difícil.”

A missão do EIB é tomar medidas que afetem diretamente a economia real. “O mercado está inundado de liquidez, você pode tomar dinheiro a taxas próximas de zero e isso não tem impulsionado o investimento”, afirma Hoyer. “Portanto, algo mais precisa ser feito e algo que não seja relacionado às taxas de juros.”

A escolha dos projetos e empresas que recebem os recursos segue uma lista de critérios impostos pela UE. Há quatro áreas prioritárias: pequenas e médias empresas, investimento em inovação, fontes alternativas de energia e mudança climática, e infraestrutura.

Os setores a serem beneficiados este ano serão basicamente esses, com apenas uma diferença. “Os estados membros querem que a gente entre em atividades de risco maior”, afirma Hoyer. “Isso significa uma mudança de paradigma no uso do orçamento.”

Outra mudança na linha de atuação do banco é o aumento do volume de garantias concedidas em relação aos empréstimos. “Isso é muito importante porque o efeito multiplicador das garantias é muito maior do que o de uma transferência única”, afirma Hoyer.

Fonte: Valor

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