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2º Dia da Conectividade mostra que até pesquisar é tarefa difícil

A segunda edição do Dia da Conectividade mostra que até uma simples pesquisa é uma tarefa complicada com a atual infraestrutura de conexão que chega às escolas públicas brasileiras. Criada para mudar esse cenário, a campanha Internet na Escola, uma iniciativa do Instituto Inspirare, da Fundação Lemann e da Rede Nossas Cidades, em parceria com o Instituto de Tecnologia & Sociedade (ITS), convocou mais uma vez, nesta segunda-feira (30), a participação da comunidade escolar. A ação envolveu um teste de velocidade para incluir as instituições de ensino no Mapa da Conectividade, que será entregue ao poder público e servirá de base para identificar a priorização de investimento. Até as 18h, um total de 5847 escolas já tinham se unido à causa, com 65 mil testes completados.

Participe da campanha #internetnaescola

Além do teste, a campanha, que também atende pela hashtag #internetnaescola, abre a possibilidade de envio de email à presidente Dilma Rousseff pedindo a assinatura de um compromisso público por 10 MEGA em todas as escolas públicas do Brasil já em 2016. Após uma nova união de esforços, já são 51.110 mensagens cobrando providências.

Para mostrar o quanto é importante falar de #internetnaescola, o Porvir já publicou o Guia Temático – Tecnologia na Educação, com exemplos no Brasil e no exterior que provam como a mobilização da sociedade pode fazer a diferença. Abaixo, voltamos a trazer histórias de escolas que participaram do segundo Dia da Conectividade, que ocorre às vésperas do fim do ano letivo, e que justificam a urgência do tema na agenda do país.

Contrata uma velocidade e chega outra

Na Escola de Referência em Ensino Médio Senador Paulo Pessoa Guerra, no Recife (PE), a situação da internet frustra a todos. Apesar de ter alunos campeões da Olimpíada Digital do Projeto Educação, organizada pela Globo Nordeste, com desafios para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em plataforma digital, os problemas de conexão deixam professores e alunos de mãos atadas. O Dia da Conectividade serviu para sensibilizar alunos a respeito da importância da internet na educação com palestras e discussões do tema.

“A escola tem Wi-Fi, mas o sinal não atinge toda as áreas. E a gente ainda tem dificuldade para trabalhar com pesquisa e datashow a partir de material de internet. A proposta do governo é que a gente faça chamada virtual, mas isso fica um pouco difícil porque não tem sinal”, diz o professor de educação física Antônio Carneiro, que usa aulas virtuais para trabalhar temas ligados ao esporte com alunos.

Apesar de ter 8 Mbps contratados, o teste para campanha #internetnaescola confirmou o que é visto e sentido diariamente. “Em raríssimos dias ela chega a 4 Mbps”, diz o professor de geografia Fábio Barata. E aí, como faz? “Não faz. Ficamos tentando, tentando e tentando. No máximo conseguimos fazer pesquisas em sites que não são muito pesados. E só”, explica o professor. Se a intenção é usar um vídeo para tornar a aula mais dinâmica e interessante, é preciso trazer o arquivo em um pen drive. “Em média, o professores gastam três horas em casa fazendo pesquisa porque na escola não conseguem [baixar os vídeos]“. Cansados dessa rotina, alguns docentes adotaram uma medida drástica: usam a cota de dados do celular pessoal. “Eles estão pagando para usar internet na aula”.

Sobra trabalho manual

As atividades do Dia da Conectividade na Escola de Ensino Fundamental Nossa Senhora da Salete, na cidade de Quilombo, em Santa Catarina, envolveram os alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental. Os alunos realizaram o teste de velocidade da internet, que oscilou entre 1,93 e 1,98 Mbps. Além disso, usaram a criatividade para pedir internet de qualidade para a escola, que fica no interior do estado.

Como se não bastasse ser de velocidade insuficiente, a conexão que chega até a escola é instável. Por vezes, o fornecimento é interrompido, o que prejudica a realização das atividades em em sala de aula. Segundo a diretora Sônia Mara Flores, assistir a vídeos é muito difícil, já que demoram a carregar.

“A internet na escola traz mais dinamismo às aulas e os professores têm como prepará-las melhor. Além disso, eles acessam o professor online, uma plataforma do estado onde fazem o diário de classe, o planejamento de atividades. Se não têm conexão, eles não conseguem fazer isso na escola e tem que anotar em cadernos para, em casa, transferir para o site”, completa.

Luta por um blog

A Escola Estadual Olinda Conceição Teixeira Bacha, em Campo Grande (MS), participou das duas edições do Dia da Conectividade. Nesta segunda-feira, a professora Cláudia Leão Nazarety, coordenadora da sala de tecnologia, propôs uma pesquisa sobre a evolução da internet aos alunos do ensino fundamental.

Equipada com duas salas de tecnologia, a escola alcançou apenas 1 Mbps no teste de velocidade. Segundo Nazarety, tamanha lentidão atrapalha o desenvolvimento de algumas atividades pedagógicas. “Eu não consegui montar um blog com os alunos porque a internet estava muito lenta e caia demais”, exemplificou, ao mencionar que o aumento de velocidade poderia trazer novas possibilidades de trabalho para professores e alunos.

Sem banda para todos

Já na Escola Estadual Santo Antônio, da cidade Carmo do Rio Claro, localizada no sul de Minas Gerais, todas as sete salas participaram das atividades do Dia da Conectividade. Aproximadamente 140 estudantes, desde o 1º até o 5º ano do ensino fundamental, elaboraram cartazes e frequentaram o laboratório de informática da escola, para brincar em jogos educacionais.

Entre as frases espalhadas pela escola, “internet = futuro” e “nós queremos ser velozes porque somos curiosos” retrataram a realidade da conexão enfrentada pelos alunos. A diretora Maria Darcy Junqueira ressalta que a velocidade da internet precisa melhorar. “A velocidade da nossa conexão está muito baixinha. O teste deu 1,91 Mbps e caiu até 0,73. Quando todos os alunos estão no laboratório de informática, alguns computadores não conseguem conectar, porque a internet não comporta todos de uma vez”.

Segundo ela, a falta de computadores para uma turma e a baixa conexão obrigam os professores a organizarem turnos dentro da sala. “Os alunos fazem trabalhos em duplas ou são organizados em turnos”. Mesmo diante deste cenário, ela reconhece a importância de se ter uma internet de qualidade dentro da escola. “Hoje, os alunos estão muito rápidos. Eles não estão atingindo seus objetivos por causa dessa internet muito lenta”.

Nem 1 Mbps

Em Manaus (AM), os alunos da Escola Municipal Lírio do Vale fizeram testes de velocidade e aproveitaram a data para falar de atividades que gostariam de desenvolver na escola se a internet fosse mais rápida. “Seja para fazer uma pesquisa ou baixar uma imagem, eles não conseguem concluir uma atividade porque a internet não colabora”, conta a coordenadora Ana Cleide.

Na escola, a velocidade da conexão, que não chega nem a 1 Mbps, dificulta o uso de objetos digitais de aprendizagem. Quando um professor de ciências tentou usar um vídeo sobre o corpo humano para dinamizar as suas aulas, por exemplo, ele não conseguiu completar o download e precisou planejar outra atividade. “Hoje as informações são muito rápidas. Com a velocidade que nós temos, não conseguimos acompanhar muitas coisas”, diz Cleide.

Fonte: Porvir

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