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Prêmio Nobel e Google, o que você tem a ver com isso?

Há poucos dias, o economista francês Jean Tirole foi agraciado com o Prêmio Nobel em economia. Os destaques de sua obra estão relacionados à análise de poder e regulação de mercado. Tirole defende que a regulação é necessária, uma vez que os mercados nem sempre funcionam de forma eficiente, mas que a ação reguladora deve ser feita da forma mais isenta possível, como a atuação de um juiz em um jogo, a fim de minimizar custos e estimular a atividade econômica.

A regulação é especialmente importante em mercados oligopolistas e monopolistas, nos quais quem oferta o produto ou serviço enfrenta pouca ou nenhuma competição. A ideia é evitar que se cometam abusos de poder em detrimento do bem-estar dos consumidores.

É crucial, entretanto, que as agências reguladoras sejam capazes de evitar esses abusos sem impactar de forma negativa as operações das empresas.

Apesar de a discussão sobre regulação parecer, muitas vezes, bastante distante da nossa realidade, ela está mais próxima do que parece. Um exemplo palpável são as buscas pela internet.

No final de setembro, o Google anunciou uma grande mudança na sua ferramenta de busca, aposentando, após dez anos, a ferramenta antiga que vinha usando. Na forma como a conhecemos, a plataforma faz buscas por meio das palavras-chave digitadas no campo de busca e oferece ao usuário os links que mais se encaixam com aquela pesquisa. Com a mudança, o novo algoritmo de busca, chamado Hummingbird, passa a oferecer resultados mais rápidos e mais precisos.

A seleção dos links exibidos passa a ser feita de forma a entender o significado da sua pesquisa. Quando você digitava “aspirina”, por exemplo, recebia uma relação de endereços relacionados ao medicamento. Hoje, você recebe informações sobre os seus efeitos e sobre os riscos de uso da medicação.

O que isso tem a ver com Tirole e seu Prêmio Nobel? A inovação foi anunciada meses após o Google quase ter respondido a um processo de antitruste sobre dominância global de sua ferramenta de pesquisa. A Federal Trade Comission (Comissão Federal de Comércio) dos EUA considerou o Google inocente após ter passado dois anos investigando acusações feitas por empresas de que o Google era monopolista.

As empresas denunciantes dependiam da ferramenta de busca do Google para seus negócios e se sentiam economicamente lesadas. A própria Microsoft era uma delas.

É bastante provável que a troca da ferramenta no Google não teria sido estudada ou implementada de forma plena caso a empresa não tivesse passado por essa “saia justa” de ser investigada.

Como você se beneficia com a novidade? De acordo com o engenheiro-chefe de busca da empresa, Amit Singhal, ao pesquisar “Taj Mahal”, por exemplo, o resultado poderá variar dependendo do que outras pessoas estão buscando sobre o mesmo tema ou até mesmo de onde você está.

Você pode estar buscando fotos sobre o monumento, sobre um cassino nos EUA ou, dependendo de onde você comeu ultimamente, qual o restaurante indiano mais próximo.

Post em parceria com Mariana Calabrez, que é economista formada pela FGV-SP e atualmente pesquisa sobre finanças corporativas e comportamentais

Fonte: Folha de São Paulo. Artigo publicado em 24/10/2014

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