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Artigo – Inovação para o desenvolvimento

Impulsionado por ações recentes do governo federal, como o lançamento do Plano Inova Empresa e a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação (Embrapii), o setor de CT&I vive um momento ímpar na história do Brasil. Com políticas públicas mais assertivas e destinação de recursos proporcional à importância da inovação para o desenvolvimento, esse momento favorece o chamado empreendedorismo inovador, um movimento iniciado no País em meados da década de 80, que tem nas incubadoras de empresas e parques tecnológicos seus principais expoentes e em milhares de startups um de seus principais resultados.

Presentes em todas as regiões do País, esses mecanismos têm se revelado uma importante ferramenta de promoção do desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e social. O Brasil conta hoje com cerca de 400 incubadoras, que articulam mais de 6,2 mil empresas (entre incubadas, graduadas e associadas), as quais, por sua vez, geram aproximadamente 46,2 mil postos de trabalho. Consolidadas, as incubadoras oferecem infraestrutura e suporte técnico, gerencial e administrativo para apoiar o empreendedor no estágio inicial de seu negócio, criando condições efetivas para abrigar ideais inovadoras e transformá-las em empreendimentos de sucesso?

Entre os critérios essenciais para um empreendimento ingressar em uma incubadora está a inovação que se propõe a realizar. O mesmo ocorre nos parques científicos e tecnológicos, que atuam como complexos de desenvolvimento regional, visando fomentar economias baseadas no conhecimento. Esse fomento se dá por meio da integração entre instituições de pesquisa, universidades, empreendimentos e organizações governamentais que habitam esses ambientes. Temos atualmente no Brasil cerca de 90 iniciativas de parques tecnológicos, dos quais 30 estão em operação – os demais encontram-se em fase de implantação e planejamento. Nos parques, muitos empreendimentos nascidos nas incubadoras encontram espaço e apoio para continuar se desenvolvendo, ao lado de empresas de médio e grande portes, todas atraídas pelo ambiente favorável à inovação.

A exemplo da trajetória traçada pelas incubadoras de empresas, vários parques tecnológicos se consolidam a quilômetros de distância das grandes metrópoles brasileiras, figurando como plataformas de desenvolvimento regional sustentável. Exemplos disso são os parques tecnológicos em operação nas cidades de Belém (PA), Foz do Iguaçu (PR), Campina Grande (PB), São Carlos (SP), Viçosa (MG) e São Leopoldo (RS), para citar apenas alguns. Esse movimento rumo ao interior é impulsionado pela expansão do ensino superior, que agora abre novas rotas de desenvolvimento para regiões até então carentes em pesquisa e inovação, incentivando não apenas a educação, mas também o empreendedorismo, capaz de sugerir soluções para problemas locais e também inserir uma determinada região no mercado global.

Para que essas iniciativas se expandam e gerem resultados ainda mais relevantes, é preciso que tenhamos ações contínuas de incentivo à inovação, as quais incluam, além do apoio às empresas inovadoras, o fortalecimento de incubadoras e parques tecnológicos. No caso dos parques, a dependência de recursos públicos dificulta a definição de uma estratégia para posicionamento e crescimento, de modo que a evolução dos projetos, muitas vezes, se dá em resposta à disponibilidade de recursos.

Essa condição atrapalha a definição de um modelo sustentável de atuação. Faz-se necessário, assim, que se criem melhores condições para que tanto os parques em operação quanto os que estão sendo implantados recebam os investimentos oportunos, em prazo desejável, de modo a não tolher seu potencial de contribuição ao desenvolvimento.

Acreditamos fortemente que os desafios do segmento de CT&I passam pela consolidação dos ambientes de inovação brasileiros, por sua interação com outros atores e pela criação de mecanismos que garantam sua sustentabilidade. Esse é um dos objetivos, por exemplo, do Cerne, um modelo de gestão desenvolvido pela Anprotec, em parceria com o Sebrae, que consiste na base para qualificação de incubadoras brasileiras. Estamos certos de que, por sua importância estratégica para o País, os ambientes de inovação precisam ter uma gestão exemplar, que sirva como parâmetro para qualquer tipo de empreendimento. Assim ajudaremos a construir uma forte e competitiva indústria baseada no conhecimento.

Artigo  Francilene Procópio Garcia, Diretora Regional Consecti Nordeste e Presidente da Anprotec

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo  

 

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