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Artigo – Inovação a serviço do Brasil

Diariamente, nos deparamos com notícias sobre a necessidade de o governo brasileiro investir no setor de Ciência e Tecnologia, a fim de incentivar projetos inovadores, que agreguem conhecimento e valor para os processos produtivos aqui instalados e para a economia nacional como um todo. Também ouvimos cotidianamente reclamações sobre a falta de apetite das empresas brasileiras para inovar. Não deixa de ser uma cobrança oportuna e importante, mas seria também salutar jogar luz sobre as boas iniciativas, sejam elas do poder público ou da iniciativa privada.

A principal queixa do governo é que a inovação tecnológica não pode ter como objetivo a redução da carga tributária, pois, na verdade, o poder público incentiva esperando que as empresas invistam do seu próprio capital um valor muito superior aquele incentivado. O incentivo fiscal é uma consequência da inovação tecnológica e não o motivo para se fazer inovação tecnológica. Um dos setores onde isso fica muito claro é o de telecomunicações, em que a carga tributária é uma das mais altas do mundo e, portanto, o incentivo nunca “estará à altura”. Por isso, ele não pode e não deve ser a força motriz de companhias que pretendam ter a inovação em sua cultura. Recentemente, o Ministério das Comunicações colocou em consulta pública o Regulamento de Estímulo à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, com o objetivo de incrementar as tecnologias no setor, desenvolver novas soluções, fortalecer fabricantes nacionais e melhorar a qualidade dos serviços. Há ainda a proposta de criação do Programa Anatel de Excelência em Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Qualificação de Recursos Humanos em Telecomunicações, em que as empresas poderão ter vantagens em licitações, leilões ou mesmo na obtenção de financiamentos em instituições públicas.

O conceito de inovação pode parecer algo intangível, de difícil compreensão. E não há nada melhor do que a apresentação de casos concretos, tangíveis e mensuráveis, para que o público entenda a importância do investimento em ciência, tecnologia e inovação.

Um caso interessante para traduzir o conceito e mostrar o alcance da inovação na economia brasileira é o do recente desenvolvimento de uma plataforma de identificação de dispositivos móveis que substitui similar hoje importado, produzido por apenas cinco companhias no mundo.

Desenvolvemos, em outubro do ano passado, uma plataforma de rede celular responsável pelo controle de equipamentos e dispositivos móveis – o Equipment Identity Register (EIR). A grosso modo, o serviço consiste em registrar o serial do aparelho celular no momento em que é ligado e depois periodicamente. Com isto, é possível monitorar os aparelhos celulares roubados ou perdidos, registrados no Cadastro de Estações Móveis Impedidas (CEMI).

Uma opção seria adquirir uma plataforma no mercado, com investimento de R$ 1,2 milhão. A alternativa escolhida, porém, foi investir e desenvolver internamente o próprio EIR, com uma tecnologia que suporta os inúmeros tipos de controles requeridos na rede.

Mais importante do que a solução tecnológica em si é o exemplo. O efeito multiplicador é claro: o investimento realizado pela companhia em inovação gerou um produto que passa a ser utilizado por seus clientes, mas também ofertado a outras operadoras, brasileiras e internacionais. No fim do processo, o saldo que fica é o da geração de empregos e renda aqui no Brasil, a geração de divisas para o país e uma economia substancial não apenas com o investimento inicial de R$ 1,2 milhão no similar estrangeiro, mas também com todos os custos de manutenção que a plataforma importada acarretaria.

Voltando ainda um passo nessa reflexão, projetos como esse só são possíveis quando a iniciativa pública e privada se aliam aos meios acadêmicos, para incentivar estudantes, profissionais e iniciativas de aprimoramento da educação. Essas parcerias vêm se ampliando por meio de catalisadores como os Conselhos Gestores de Parcerias Públicas-Privadas, que permitiram projetos inovadores em prol da educação e inovação. Outro projeto importante nesse sentido é a Maratona de Programação, que conta com a parceria, além da Sociedade Brasileira de Computação, de diversas universidades, entre elas UFMG e UFU.

A verdade é que todas as Nações que atingiram os mais altos padrões econômicos e conseguiram oferecer maior grau de bem estar para os seus povos apostaram e continuam apostando no desenvolvimento tecnológico e na inovação como alavanca para o crescimento. O Brasil pode e deve seguir este caminho, governo e iniciativa privada precisam unir esforços e buscar, com criatividade e determinação, as melhores maneiras de incentivar e promover ações que tenham a inovação e o desenvolvimento tecnológico como princípio.

* Divino Sebastião de Souza é presidente da Algar Telecom.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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