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Artigo – Indonésia: Duas ‘tec-emprendedoras’ excepcionais

Ollie e Anantya são duas geeks indonésias fora do comum, duas “tec-empreendedoras” –como preferem se definir. Ollie, o apelido de Aulia Halimatussadiah, 28, tem um site de livros eletrônicos, cuida de diversos blogs, participa na animação de comunidades de entusiastas digitais, investidores e educadores interessados no mundo digital. Também é autora de 20 livros, metade dos quais de ficção romântica. Adotou como pseudônimo literário o nome “Salsabeela”, que em árabe significa “fontes do paraíso”. Formou-se em ciência da computação.

Anantya van Bronckhorst, 32, fundou em 2006 a ThinkWeb.id, uma agência digital (com 50 funcionários) da qual é diretora executiva. Dirige quatro empresas, entre as quais uma de relações públicas digitais e outra de colocação de anúncios no Google AdWords. Além disso, promove a adoção das etiquetas de rádio-identificação (RFID), e em companhia de Ollie comanda a divisão indonésia da “Girls in Tech”, uma rede mundial que promove a inclusão digital das mulheres.

Empresárias, intelectuais, ativistas, informáticas, as duas jovens são a encarnação feminina dos filhos de Arquimedes e apostam nas tecnologias de informação para mover o mundo. Sua situação faz com que para elas a questão seja um pouquinho mais complicada.

“A tecnologia continua a ser uma barreira para as mulheres”, diz Anantya. Na Girls in Tech, organizam reuniões a cada dois meses, convidando mulheres (e alguns homens) para palestras, mas também se esforçam para penetrar nas escolas e universidades. “Quanto mais educarmos as jovens, mais elas estarão abertas às tecnologias”, acrescenta.
Alguns pais se inclinam a casar suas filhas o mais rápido possível. E a pressão social não demora a incentivá-las a não sair de casa.

Ollie teve de pedir permissão ao pai para se demitir de um cargo assalariado e criar uma companhia. Anantya contou com apoio da família para criar seu negócio, mas não com dinheiro, que sua família não tinha. Não é casada, mas durante seu último relacionamento sério o namorado a reprovava por trabalhar demais. Os amigos lhe dizem que os homens têm medo de se aproximar dela… porque está por cima.

Ollie acaba de se divorciar. “Apesar de meus esforços para equilibrar a vida pessoal e profissional, não consegui”, confessa. “Como toda indonésia, chegava ao trabalho às 11 e saía às quatro. Cozinhava. Mas não adiantou, porque o ego do homem não suporta que nos destaquemos. Ele queria ser superior a mim, o que não fazia sentido algum porque começamos juntos. Minha carreira só deslanchou de verdade depois do divórcio”.

“Mulheres são escassas entre os desenvolvedores”, diz Anantya. “Nenhuma delas se candidatou a vaga na ThinkWeb.id”, sua agência. “Não é algo aceito como profissão até agora, diferentemente da medicina ou dos meios de comunicação. Mas chegou o momento de lhes mostrar que esse campo permitirá que encontrem empregos mais atraentes no futuro próximo”.

Entre todas as suas atividades, Ollie concede grande espaço à moda. Criou uma linha de roupas e se orgulha de promover o “muslimah wear”, um estilo que favorece a mulher mas respeita as regras da religião muçulmana, incluindo o hijab. Suas criações são vendidas no site Salsabeelashop.com. “A tecnologia da informação progride com rapidez nesse âmbito”, opina. “Tenho lojas online e offline. Uso o Facebook e o BBM (BlackBerry Messenger) para vendas. Além disso, organizado concursos no Twitter durante os quais trocamos fotos das roupas que estamos usando”.

Ansiosa por estimular maior adesão em sua comunidade, Ollie participou da criação da StartupLokal.org, na qual os membros trocam experiências e recebem ajuda para crescer do Project Eden, o primeiro projeto indonésio de aceleração de startups.

Tradução de PAULO MIGLIACCI – Folha de São Paulo

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