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Artigo – Governo tem que agir rápido para evitar caos no Sisu

MEC passa dos limites ao fazer de conta que uma greve que já atinge 56 das 59 federais não existe

Se o governo não for rápido em encontrar uma solução, certamente teremos o caos nas próximas chamadas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do segundo semestre de 2012. Na sexta-feira, primeiro dia de inscrições para a primeira chamada, o governo já reconheceu que cinco universidades federais não estão fazendo as inscrições dos alunos que passaram em primeira chamada. Outras 48 instituições, segundo o sindicado da categoria dos técnicos que trabalham nas universidades e institutos federais, também estariam total ou parcialmente paralisadas.

O problema das inscrições era de fácil previsão. Os docentes das federais deflagraram uma greve há mais de 60 dias, e hoje 56 das 59 federais já aderiram à paralisação. Os técnicos começaram sua greve do dia 11 de maio. Alunos, principalmente de unidades que nasceram com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e/ou de uma das 14 federais que nasceram no governo Lula, e que sofrem com a falta de estrutura em seus câmpus, que vai desde falta de laboratórios, bibliotecas, salas sem condições adequadas, hospitais universitários sucateados e abandonados à espera do ‘milagre’ prometido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), professores sem dedicação integral, até refeitórios adaptados em ‘puxadinhos’ de Madeirite, também pipocam greves e invasões às reitorias e outros departamentos administrativos pelo Brasil.

E o governo tem protelado as negociações com as várias categorias em greve, provavelmente de olho em uma data, o dia 31 de agosto. Este é o último que, constitucionalmente, pode-se entregar, para o congresso, a LOA (Lei Orçamentária Anual). Qualquer aumento salarial, ou qualquer plano de carreira negociado muito antes desta data, pode levar a uma reação em série, fazendo com que dezenas de outras categorias de servidores públicos federais entrem em greve.

Acontece que, se por um lado é pouco provável uma retomada rápida das negociações com as categorias ligadas às universidades e institutos federais, por outro lado esta realidade traz uma série de incertezas e inseguranças para milhares de alunos, e todas elas de fácil previsão para o MEC. Primeiro, se uma única universidade parasse seu sistema de inscrição, isto já embolaria todo o Sisu e prejudicaria todas as demais chamadas. Segundo, greve é uma opção pessoal. Certamente nas 48 instituições federais que estão no Sisu de segundo semestre (outras 8 são estaduais), é natural que alguns departamentos estejam em funcionamento e outros estejam parados.

Como uma das características do Sisu é justamente criar mobilidade de estudantes dentro do País, como o MEC acredita que um aluno do Acre saiba, com garantias e sem que fique angustiado, que determinada universidade no sul do País está com o departamento daquele curso que o aluno passou funcionando normalmente? Ou o conselho do MEC é que cada estudante viaje para fazer sua inscrição e, caso a seção de alunos não esteja funcionando, o aluno fique ali, acampado, até o dia em que a greve acabar – ou por negociação do governo ou por cansaço dos trabalhadores?

O MEC já passou dos limites fazendo de conta que uma greve que já tem 56 federais, das 59, não existe, marcando uma reunião, junto do Ministério do Planejamento, cheia de expectativas e não levando nenhuma proposta para as categorias (além de um singelo pedido de trégua), desmarcando a reunião em que iria entregar os planos de carreira, dando como desculpa a RIO+20 e não remarcando a reunião, como prometido, para a semana que passou.

Agora, para preservar os alunos que passaram no Sisu de segundo semestre e os que ainda devem passar nas próximas chamadas, o mínimo que o MEC pode fazer é encontrar uma solução que não deixe na insegurança cerca de 30 mil pessoas, nem que para isto o ministério crie um sistema de inscrição/matrícula unificada, via internet, com chamadas para as aulas somente para as universidades e departamentos que realmente estão funcionando. E isto sem usar o sistema como forma de perseguição às categorias que, mais do que justamente, lutam por melhorias em suas condições de trabalho. E isso tem que ser rápido. Rápido como as operações dos políticos ministros para ganhar 1 ou 2 minutos a mais para seus candidatos na TV, não rápido na velocidade de quem está mais preocupado em passar as segundas e sextas em suas bases eleitorais e usar o ministério somente para a criação de factoides positivos ao governo.

Fonte: Ig. Escrito por Mateus Prado que é educador que analisa o Enem, os vestibulares e o ensino brasileiro

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