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Artigo – Engenharia e inovação

Temos muitos significados para a palavra inovação. Um dos aplicáveis é a introdução de algo novo em qualquer atividade humana. A palavra é derivada do termo latino innovatio, e se refere a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores.

 Temos neste ponto a questão central da nossa discussão: toda a formação do engenheiro é baseada no estudo das leis da natureza e no seguimento de procedimentos. Então, inovar pode ser uma atividade muito difícil e dolorosa para os engenheiros.

Segundo W. Brian Arthur autor do livro The Nature of Technology, as novas tecnologias aparecem pela combinação das já existentes. Diz, ainda, que as tecnologias se criam por si e de si mesmas e que a inovação tecnológica dependeria dos seguintes fatores: demandas sociais, de tecnologias existentes e de estoque de conhecimentos científicos disponíveis. Vamos aos fatos.

Mudança. As demandas sociais existem no Brasil. O “consumerismo” no País é uma realidade, assim como a melhoria econômica nos últimos anos. Aumentaram a oferta e a competição, e o cliente detém o poder de exigir.

Com alguns cliques no computador é possível comparar preços, produtos e lojas, coisa que antes exigia certo tempo. O brasileiro começou a viajar e adquiriu padrões de comparação da América do Norte e da Europa.

Os órgãos de defesa do consumidor são ativos e os jornais, blogs e Facebook estão cheios de notícias do mundo do consumo e de gente reclamando de produtos e serviços.

O estoque de conhecimento científico e a tecnologia existente, por sua vez, devem ser analisados de forma conjunta. O ponto nevrálgico aqui é a comunicação entre eles.

A inovação se faz combinando conhecimento e tecnologia. Exemplificando algumas combinações: transistores bioeletrônicos, eletrônica molecular, spintrônica, computação quântica, apenas para citar algumas áreas, são tecnologias emergentes e já estão se tornando realidade.

Se o trabalho em equipe no mundo da ciência já era importante, agora a interdisciplinalidade é um fator adicional. As universidades e os cursos devem preparar o futuro profissional para que se sinta confortável a atuar nas fronteiras do conhecimento, cercado de incertezas, entre uma ciência e outra.

Pressão. A interdiciplinalidade surge quando os currículos refletem a pressão da sociedade, provendo o estoque de conhecimento necessário em cada área, e as universidades geram ambiente de trabalho colaborativo entre os seus departamentos. Isso se aplica não apenas entre as engenharias, mas pensando de forma mais abrangente, também às áreas biológicas e humanas.

Digo colaborativo e não competitivo, como se tem notícia de algumas universidades, onde se registra disputa pelo aumento de orçamento e pelo número de papers publicados.

O aluno deve ser motivado a adentrar ao mundo das incertezas. Ao contrário, em geral o processo de aprendizado é cauteloso demais, e doutrina a não correr riscos.

Os trabalhos de conclusão de curso (TCC), as teses de mestrado, doutorado, são projetos com data de início e término bem determinadas, objetivos e métodos estabelecidos desde o início. O aluno não é estimulado a ousar; a ousadia nessa hora pode postergar a conclusão do curso, e ninguém é criativo e ousado quando o ambiente o ameaça.

A descoberta do grafeno, forma bidimensional do carbono que pode trazer inúmeros benefícios à eletrônica, foi feita por dois pesquisadores da Universidade de Manchester utilizando uma fita adesiva para retirar pequenos fragmentos de um grande pedaço de grafite. Perturbadoramente criativo e simples, mas valeu o prêmio Nobel. A formação na área de engenharia e a inovação será o tema principal do painel Educação do 21º Congresso SAE BRASIL, a ser realizado em outubro próximo.

MEMBRO DO COMITÊ DE EDUCAÇÃO DE ENGENHARIA DO CONGRESSO SAE BRASIL 2012, PROFESSOR ASSOCIADO DO INSTITUTO MAUÁ DE TECNOLOGIA – O Estado de S.Paulo

Fonte: O Estado de São Paulo

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