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Entrevista – Brasil é terreno fértil para startups de tecnologia, diz TNW

Os holandeses Patrick de Laive e Boris Veldhuijzen van Zanten têm um histórico invejável de empreendedorismo no mundo da tecnologia. Cofundadora do site de notícias The Next Web, a dupla é também a responsável pela criação do The Next Web Conference.

A conferência acontece em Amsterdã (Holanda) e Nova York todos os anos desde 2006 e logo se tornou um respeitado evento de internet. Desde o ano passado, o TNW Conference acontece também em São Paulo. Sua edição brasileira de 2013 reunirá mais de 50startups em busca de troca de ideias e oportunidades de negócios.

Durante sua passagem pelo Brasil, a dupla conversou com EXAME.com sobre empreendedorismo online, o mercado brasileiro e as principais tendências em apps e startups de tecnologia no Brasil e no mundo. Confira os melhores trechos abaixo.

EXAME.com – Como vocês o enxergam o mercado brasileiro de startups?

Patrick de Laive – Muitas startups estão concentradas no Brasil, o que é compreensível, pois o país está crescendo com rapidez. Mas também vemos dificuldades e problemas. Algumas startups conseguem 100 mil dólares em investimentos, e agora precisam de mais dinheiro para crescer e virarem empresas de verdade.

EXAME.com – Quais oportunidades vocês acham que os empreendedores brasileiros estão perdendo?

de Laive – Se eu fosse um empreendedor no Brasil, provavelmente apostaria em desenvolver soluções para grandes e médias empresas. Algo que tivesse como foco as finanças e a contabilidade. Sei que no Brasil o sistema tributário é super complicado, então acho que existem oportunidades neste sentido.

Boris van Zanten – Eu faria algo na área de finanças e mídia. Acho que aqui ainda existem oportunidades interessantes para a criação de novas empresas de mídia e informação.

EXAME.com – Na visão de vocês, quais são as maiores tendências mundiais no que diz respeito às startups de tecnologia?

van Zanten – Existem algumas tendências óbvias, como apps e mobile. Mas acho que uma área interessante atualmente é a de Finanças. Ainda usamos cédulas de papel e isto significa que existe espaço para inovações nesta área.

Mas além destas tendências, existem muitas oportunidades. O Brasil tem hoje cerca de 100 milhões de pessoas online e está na dianteira da curva mundial, que tem algo como 2 bilhões de usuários de internet.

Isto significa que as oportunidades são infinitas e os empreendedores também devem observar seus mercados e ficar de olho em empresas que têm obtido sucesso em países diferentes. Se elas ainda não estiverem no seu país, aí está uma nova oportunidade.

de Laive – E isto não serve apenas para novas empresas, mas também para empresas já consolidadas. Elas podem aproveitar essas novas oportunidades para expandir. Encontrei algumas novidades interessantes no Brasil e na Argentina de empresas que estão desenvolvendo soluções para fazendeiros.

É algo que jamais sairia da Bélgica ou Holanda, pois não temos fazendas enormes como por aqui. Eles estão modificando a maneira como esses fazendeiros trabalham com a tecnologia que existe hoje.

EXAME.com – No que diz respeito ao mundo dos apps para smartphones e tablets, quais as maiores tendências hoje?

van Zanten – É interessante perceber que o que torna um app bem sucedido é a sua tecnologia e execução. Porém, ao mesmo tempo não é só isso, pois envolve a maneira como o app será usado.

Houve um tempo em que, para ter um app bem sucedido, você deveria construir o melhor aplicativo possível. Mas hoje não basta criar mais filtros que o seu concorrente ou incluir vídeos mais longos. É preciso criar algo que seja realmente interessante para as pessoas.

É um mercado que está passando por um processo de amadurecimento: é preciso investir em marca, experiência do usuário. E é assim com Vine, Instagram e Snapchat, por exemplo. Eles nunca disseram que seriam os melhores do mundo. Reconheceram suas limitações e, dentro delas, há a criatividade. Então o desafio não é só o de construir uma tecnologia.

de Laive – Por outro lado, é impressionante ver as tendências que estão fora do circuito das redes sociais. Existem empresas que pegam um aspecto pequeno e transformam em algo grande. Nos Estados Unidos, conheci um app que permite que você tire uma foto do seu pneu para saber se precisa calibrá-lo e quanto você pode economizar com isto.

EXAME.com – Quais são as startups mais badaladas do Brasil hoje?

de Laive – Não sei se ainda podemos chamá-los de startups, mas diria o BooBox. Eles já viraram uma empresa de verdade, estão fazendo dinheiro e tem uma tecnologia excelente. Eu prevejo um futuro de muito sucesso para eles, internacionalmente, inclusive.

Também citaria o site Baby.com.br. É uma solução muito óbvia e inteligente: se você tem um bebê em casa, não quer ficar no trânsito para comprar um pacote de fraldas. Outra startup interessante é o EasyTaxi, que recebeu uma quantia absurda de investimentos recentemente.

EXAME.com – E em âmbito mundial? Quais são as principais apostas de vocês?

van Zanten – Acho que o Square é muito interessante, especialmente porque está apostando nesta área de pagamento. Acredito que ela será uma empresa de transição, uma vez que ainda trabalha com cartões de crédito. Mas estou animado para ver qual será o próximo passo deles.

Há o AirBnb, uma empresa super interessante e é um clássico exemplo do que falamos sobre observar as oportunidades. Este negóciofoi tentado dezenas de vezes nos últimos anos por pessoas diferentes, e, de repente, eles apareceram. Acertaram o momento, as funcionalidades e a interface.

EXAME.com – Quais as dicas que vocês deixam para os empreendedores brasileiros interessados em desenvolver novidades em tecnologia?

van Zanten  Não vejo problemas em observar o que pode ser incorporado do exterior. Tem muita coisa acontecendo fora daqui e faz sentido olhar pra fora e aprender com o que é feito por lá. Veja se é possível replicar por aqui soluções locais de sucesso em outros países.

Existem negócios que só podem ser feitos em escala local. Na Holanda, por exemplo, temos uma rede que permite que vizinhos se cadastrem para emprestar ferramentas uns aos outros.

de Laive – Não faz sentido fazer um novo Twitter, pois é uma rede global por excelência. Mas se há algum outro negócio local acontecendo fora do Brasil e que pode ser replicado por aqui, porque não?

Fonte: Exame

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